Amigo internauta,
Algumas informações sobre o destino mais comum para estudantes de música no Brasil, os EUA.
Cenário musical
Os EUA é um dos maiores centros de produção e consumo de entretenimento do mundo. As oportunidades para trabalhar nessa área são ilimitadas. O cenário da música de concerto também é muito bom, com centenas de orquestras e algumas dezenas de casas de ópera com programação regular, além de uma intensa atividade de música de câmera. Toda a cadeia produtiva funciona muito bem, e proporciona ótimas oportunidades para iniciar uma carreira.
Cenário acadêmico
Os Estados Unidos da América tem de tudo. Apesar das infra-estrutura das universidades ter um padrão acima da média do Brasil, há desde verdadeiras "lojas de diplomas" às mais importantes escolas de música do mundo.
Portanto, saber escolher bem é fundamental. Imaginar que qualquer lugar dos EUA é melhor que qualquer lugar do Brasil é um mito, e é possível que um brasileiro que aceite ir no primeiro lugar que aparecer encare uma grande roubada.
Sistema educacional
O sistema educacional do Brasil é praticamente igual ao dos EUA, com cursos com a mesma duração, portanto a validação de diplomas entre os dois países é relativamente simples.
Mesmo as escolas públicas cobram taxas dos alunos, e é normal que estrangeiros paguem valores mais elevados. Embora a desvalorização do dólar tenha tornado o valor mais acessível, o custo anual do curso e despesas gira em torno de um carro popular zero km.
Naturalmente, viver em Nova York custa mais que numa cidade do interior da Virgínia, portanto o custo das despesas pode variar muito. Por outro lado, as oportunidades profissionais são maiores nas grandes cidades.
Indo ao país
Embora várias universidades aceitem vídeos como prova de admissão, recomenda-se a qualquer aluno que busca ajuda financeira fazer uma audição. Algumas escolas fazem audições fora do país, e com frequência tocar para um professor de universidade estadosunidense vale como uma audição, portanto, se alguém que você queira fazer aulas venha ao Brasil, pode ser muito bom fazer de tudo para tocar pra seu potencial professor.
Um bom domínio do inglês é fundamental, e faz parte dos documentos a serem enviados o resultado de algum teste de proficiência, como o TOEFL. Diversos bons músicos, mesmo com bolsa, foram impedidos de estudar por não conseguir a nota mínima nesses testes de inglês.
O que nós chamamos de bolsa de estudos costuma ser desconto (parcial ou total) do preço do curso, e não cobre todas as despesas. Em algumas circunstâncias, é possível que esteja incluída moradia no campus da faculdade. Ainda assim, todo gasto com alimentação, transporte, seguro saúde, material de estudo tem de ser pago pelo estudante.
É possível trabalhar legalmente durante o período de estudo, com muitas restrições. Várias dessas regras são determinadas pela escola.
A Embaixada dos EUA mantém escritórios em diversas cidades brasileiras que dão orientação gratuita ou a preços baixos para qualquer pessoa que queira estudar nos EUA, os Education Advising Offices. Contacte esses centros para mais informações, e evitar conselheiros que cobram taxas altas.
Para obter o visto, toda a tramitação tem de ser feita no Brasil, pessoalmente. Recomenda-se iniciar a burocracia com um ano de antecedência. O calendário escolar estadosunidense inicia em agosto / setembro.
Vivendo no país
É comum que as universidades tenham moradia estudantil no campus. Exceto em casos excepcionais, é preciso pagar aluguel para morar nessas residências, e o custo nem sempre é inferior a alugar um imóvel comum. No entanto, pode haver vantagens extras com a redução de custos de transporte ou de outros serviços (internet, lavanderia, etc.).
Como comentado acima, é possível trabalhar durante o período de estudo, mas é preciso seguir normas restritas, das quais várias delas são determinadas pela instituição de ensino.
Ficando no país permanentemente
Ao final dos estudos, o aluno precisa sair do país. Caso ele tenha um visto de trabalho, então ele pode permanecer. Portanto, estudantes de música que pretendem continuar nos EUA devem procurar uma colocação no mercado de trabalho ao longo do curso.
É melhor ficar no Brasil se...
O maior empecilho para brasileiros manterem seus estudos nos EUA é o custo de vida, embora esteja mais acessível.
Especialmente em se tratando de graduação, há poucas universidades nos EUA que são realmente superiores aos melhores centros de ensino do Brasil. É um melhor investimento deixar para fazer uma pós-graduação por lá.
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Estudando música no exterior: Inglaterra
Amigo internauta,
Mais informações sobre um destino de interesse para estudantes de música, a Inglaterra.
Cenário musical
Desde o século XVIII a Inglaterra é um palco importante, embora tenha passado muito tempo sem qualquer compositor de destaque. Re-estruturou toda a cadeia da música há cerca de 50 anos, e aumentou consideravelmente sua produção musical. É um dos locais privilegiados para iniciar uma carreira.
Cenário acadêmico
Mesmo em universidades de menor porte, há um clima de entusiasmo. Naturalmente, há professores mais talentosos que outros, mas tenho a impressão que a maioria está interessada em produzir, progredir, e fazer sempre melhor.
Em vários instrumentos encontram-se no país alguns dos melhores professores do mundo. Desde os anos 50 a Inglaterra têm formado vários dos músicos de maior prestígio, que continuam atuando no país.
Sistema educacional
Embora o equivalente inglês do ensino médio tenha uma estrutura bem diferente, brasileiros com o ensino médio completo vão direto para a universidade, sem precisar fazer cursos extras.
Os cursos superiores de música são oferecidos por conservatórios de música e por universidades. Os cursos em diversas universidades são apenas de musicologia, mas há universidades que oferecem cursos para instrumentistas, compositores, regentes, etc.
A estrutura do ensino superior é muito parecida com o sistema estadosunidense, portanto o diploma é reconhecido no Brasil. Com frequência os cursos são mais intensos e, embora tenha carga horária parecida, duram um ano a menos.
Mesmo as escolas públicas cobram taxas dos alunos. Embora a recente desvalorização da libra esterlina tenha tornado o valor mais acessível, o custo por ano de um curso na Inglaterra é equivalente a um bom carro 0km. Com frequência há preços diferenciados, em que residentes na Inglaterra e da União Européis pagam menos. Some-se a isso todas as despesas de viver no país. O custo de vida inglês é muito alto, e Londres é uma das cinco cidades mais caras do mundo.
Indo ao país
Embora várias universidades e conservatórios ingleses aceitem vídeos como prova de admissão, recomenda-se a qualquer aluno que busca ajuda financeira fazer uma audição. Algumas escolas fazem audições fora do país.
Um bom domínio do inglês é fundamental, e faz parte dos documentos a serem enviados o resultado de algum teste de proficiência, como o TOEFL ou o IELTS.
O que nós chamamos de bolsa de estudos costuma ser desconto (parcial ou total) do preço do curso, e não cobre todas as despesas. Em algumas circunstâncias, é possível que esteja incluída moradia no campus da faculdade. Ainda assim, todo gasto com alimentação, transporte, seguro saúde, material de estudo tem de ser pago pelo estudante.
É possível trabalhar durante o período de estudo, porém é preciso observar certas normas para obter essa permissão. Várias dessas regras são determinadas pela escola.
Para obter mais informações sobre as universidades e possibilidades de bolsa de estudos, recomendo contactar a agência do British Council mais próxima.
Para obter o visto, toda a tramitação tem de ser feita no Brasil, pessoalmente. Recomenda-se iniciar a burocracia com um ano de antecedência. O calendário escolar inglês inicia em agosto / setembro.
Vivendo no país
É comum que as universidades tenham moradia estudantil no campus. Exceto em casos excepcionais, é preciso pagar aluguel para morar nessas casas, e o custo nem sempre é inferior a alugar uma residência comum. No entanto, pode haver vantagens extras com a redução de custos de transporte ou de outros serviços (internet, lavanderia, etc.). Conservatórios de música, em geral, não oferecem moradia estudantil.
Como comentado acima, é possível trabalhar durante o período de estudo, mas é preciso seguir normas, das quais várias delas são determinadas pela instituição de ensino.
Ficando no país permanentemente
Ao final dos estudos, o aluno precisa sair do país. Caso ele tenha um visto de trabalho, então ele pode permanecer. Portanto, estudantes de música que pretendem continuar na Inglaterra devem procurar uma colocação no mercado de trabalho ao longo do curso.
É melhor ficar no Brasil se...
O maior empecilho para brasileiros viverem na Inglaterra é o alto custo de vida. Mesmo com bolsa integral (cada vez mais raras), é preciso gastar muito dinheiro.
Mais informações sobre um destino de interesse para estudantes de música, a Inglaterra.
Cenário musical
Desde o século XVIII a Inglaterra é um palco importante, embora tenha passado muito tempo sem qualquer compositor de destaque. Re-estruturou toda a cadeia da música há cerca de 50 anos, e aumentou consideravelmente sua produção musical. É um dos locais privilegiados para iniciar uma carreira.
Cenário acadêmico
Mesmo em universidades de menor porte, há um clima de entusiasmo. Naturalmente, há professores mais talentosos que outros, mas tenho a impressão que a maioria está interessada em produzir, progredir, e fazer sempre melhor.
Em vários instrumentos encontram-se no país alguns dos melhores professores do mundo. Desde os anos 50 a Inglaterra têm formado vários dos músicos de maior prestígio, que continuam atuando no país.
Sistema educacional
Embora o equivalente inglês do ensino médio tenha uma estrutura bem diferente, brasileiros com o ensino médio completo vão direto para a universidade, sem precisar fazer cursos extras.
Os cursos superiores de música são oferecidos por conservatórios de música e por universidades. Os cursos em diversas universidades são apenas de musicologia, mas há universidades que oferecem cursos para instrumentistas, compositores, regentes, etc.
A estrutura do ensino superior é muito parecida com o sistema estadosunidense, portanto o diploma é reconhecido no Brasil. Com frequência os cursos são mais intensos e, embora tenha carga horária parecida, duram um ano a menos.
Mesmo as escolas públicas cobram taxas dos alunos. Embora a recente desvalorização da libra esterlina tenha tornado o valor mais acessível, o custo por ano de um curso na Inglaterra é equivalente a um bom carro 0km. Com frequência há preços diferenciados, em que residentes na Inglaterra e da União Européis pagam menos. Some-se a isso todas as despesas de viver no país. O custo de vida inglês é muito alto, e Londres é uma das cinco cidades mais caras do mundo.
Indo ao país
Embora várias universidades e conservatórios ingleses aceitem vídeos como prova de admissão, recomenda-se a qualquer aluno que busca ajuda financeira fazer uma audição. Algumas escolas fazem audições fora do país.
Um bom domínio do inglês é fundamental, e faz parte dos documentos a serem enviados o resultado de algum teste de proficiência, como o TOEFL ou o IELTS.
O que nós chamamos de bolsa de estudos costuma ser desconto (parcial ou total) do preço do curso, e não cobre todas as despesas. Em algumas circunstâncias, é possível que esteja incluída moradia no campus da faculdade. Ainda assim, todo gasto com alimentação, transporte, seguro saúde, material de estudo tem de ser pago pelo estudante.
É possível trabalhar durante o período de estudo, porém é preciso observar certas normas para obter essa permissão. Várias dessas regras são determinadas pela escola.
Para obter mais informações sobre as universidades e possibilidades de bolsa de estudos, recomendo contactar a agência do British Council mais próxima.
Para obter o visto, toda a tramitação tem de ser feita no Brasil, pessoalmente. Recomenda-se iniciar a burocracia com um ano de antecedência. O calendário escolar inglês inicia em agosto / setembro.
Vivendo no país
É comum que as universidades tenham moradia estudantil no campus. Exceto em casos excepcionais, é preciso pagar aluguel para morar nessas casas, e o custo nem sempre é inferior a alugar uma residência comum. No entanto, pode haver vantagens extras com a redução de custos de transporte ou de outros serviços (internet, lavanderia, etc.). Conservatórios de música, em geral, não oferecem moradia estudantil.
Como comentado acima, é possível trabalhar durante o período de estudo, mas é preciso seguir normas, das quais várias delas são determinadas pela instituição de ensino.
Ficando no país permanentemente
Ao final dos estudos, o aluno precisa sair do país. Caso ele tenha um visto de trabalho, então ele pode permanecer. Portanto, estudantes de música que pretendem continuar na Inglaterra devem procurar uma colocação no mercado de trabalho ao longo do curso.
É melhor ficar no Brasil se...
O maior empecilho para brasileiros viverem na Inglaterra é o alto custo de vida. Mesmo com bolsa integral (cada vez mais raras), é preciso gastar muito dinheiro.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Estudando música no exterior: Alemanha
Amigo internauta,
Desde que vim estudar na Europa vários colegas têm me perguntado como fazer para estudar aqui. Vou então fazer uma pequena série falando de alguns destinos para estudar música no estrangeiro. Inicio pelo país em que estou morando, a Alemanha.
Cenário musical
Há cerca de 300 anos a Alemanha é um dos países mais importantes no mundo da música. A maior parte dos grandes compositores nasceu ou viveu nesse país, que tem algumas das melhores orquestras e eventos de ópera do mundo. Poucos locais são tão atrativos para estudar música erudita no mundo.
Cenário acadêmico
Embora seja difícil encontrar um professor picareta, é comum achar professores desmotivados, que não reciclam seus conhecimentos há muito tempo, ou pouco talentosos. Paulatinamente está havendo uma renovação dos cargos de professor nas escolas superiores de música, e há uma forte tendência de professores mais entusiasmados, atualizados e competentes ocuparem essas vagas.
Mesmo em instrumentos que os alemães não têm uma tradição forte, como no violão, lecionam nesse país alguns dos mais destacados professores do mundo.
Sistema educacional
Na Alemanha é possível estudar música numa universidade (Universität) ou escola superior de música (Musikhochschule). Nas Universitäten se ensinam apenas matérias teóricas, quase todas ligada à musicologia (Musikwissenschaft), e exigem uma alta proficiência no idioma. Quem quer tocar, reger e compor tem de estudar nas Musikhochschulen.
Nas Musikhochschulen os cursos ministrados são de formação artística (Kunstlische Ausbildung), pedagogia musical (Musikpedagögik) e mestrado (Meisterkurz). Os dois primeiros são equivalentes à graduação do sistema educacional brasileiro (bacharelado e licenciatura, respectivamente). O Meisterkurz não é reconhecido como mestrado no Brasil, apenas como curso de especialização.
Algumas escolas estão oferecendo cursos próximos do sistema educacional dos EUA, o Bachelor e o Master. Como essa mudança não tem um ano, desconheço qualquer manifestação de uma instituição no Brasil que diga se o Master é reconhecido ou não no Brasil.
Indo ao país
As vagas nas boas escolas são muito disputadas, e pode acontecer de um professor não oferecer nenhuma vaga para aluno novo num determinado ano. Além disso, diversas instituições alemãs (embaixada, consulado, fundações acadêmicas) costumam exigir uma carta do professor que você pretende estudar. Portanto, diria que o primeiro passo para estudar na Alemanha é conhecer pessoalmente o professor almejado. Fazer uma aula com ele é fundamental.
A burocracia é lenta, portanto recomendo pelo menos 10 meses de antecedência para iniciar a tradução de todos os papéis.
As duas principais instituições que fornecem bolsa de estudo são o DAAD e o KAAD. Atualmente a verba do DAAD têm diminuído bastante. Uma bolsa de estudo na Alemanha significa o depósito mensal de uma ajuda de custo numa conta bancária sua e, com frequência, um curso intensivo de alemão antes do início do curso.
Praticamente todas as escolas alemãs são do governo, mas recentemente todos os alunos têm de pagar uma semestralidade para estudar. Atualmente a semestralidade custa entre 300 a 600 euros.
A embaixada ou consulado irá pedir alguma comprovação de fonte de renda, que pode se dar por três formas: ter ganho uma bolsa de estudos, ter numa conta bancária valor superior ao recomendado (cerca de 7.500 euros, atualmente), ou documento assinado por um responsável na embaixada dizendo que ele se compromete a te custear - naturalmente, essa pessoa tem de possuir bens superiores ao mínimo exigido pela embaixada.
Vivendo no país
Há na Alemanha residências estudantis (Studentenwonheim), mas elas não tem qualquer ligação com as escolas e universidades. Para viver numa Studentenwonheim, o processo é praticamente o mesmo de alugar um apartamento por uma imobiliária. Com frequência os custos de aluguel são parecidos. No entanto, pode-se economizar em internet, telefone, lavanderia e outros.
A maior chance de conseguir uma vaga numa Studentenwonheim é em junho e julho. A partir de setembro é praticamente impossível. Alguns sites ajudam a iniciar uma busca por imóvel ainda no Brasil, como o www.immobilienscout.de .
Além de alugar um apartamento no mercado imobiliário, outra opção é buscar uma república (WG). Um site útil para encontrar vagas em repúblicas é o www.wg-gesucht.de .
Todo mundo que vive na Alemanha (incluso os alemães) precisam se registrar no escritório dos moradores (Einwohneramt). Assim que conseguir uma residência, registre-se no Einwohneramt. Sem esse documento de registro não é possível abrir conta em banco, ter conta de telefone celular, assinar contrato de internet, nem regularizar o seu visto.
É possível viver no país falando um bom inglês. No entanto, para se integrar na sociedade, ou lidar com qualquer órgão do governo, falar alemão é importante. Há várias oportunidades de estudar a língua a preços módicos ou de graça, como em cursos fornecidos por entidades estudantis ou na internet, como em www.dw-world.de .
Ficando no país permanentemente
Há diversas oportunidades para músicos estrangeiros conseguirem trabalho na Alemanha. A mais comum é ensinando crianças e adolescentes em escolas particulares.
A legislação alemã é das mais condescendentes para com o estrangeiro. Entre as leis que favorecem o imigrante a continuar no país, é permitido que todo estrangeiro possa viver mais um ano na Alemanha após sua formatura para buscar emprego. Com um contrato de trabalho, o estrangeiro passa a ter visto.
É melhor ficar no Brasil se...
O principal problema de estudar na Alemanha é o fato do diploma de mestrado não ser aceito no Brasil. Dependendo dos objetivos do músico, estudar de 3 a 5 anos para obter um diploma sem valor no meio acadêmico pode ser uma péssima escolha.
Desde que vim estudar na Europa vários colegas têm me perguntado como fazer para estudar aqui. Vou então fazer uma pequena série falando de alguns destinos para estudar música no estrangeiro. Inicio pelo país em que estou morando, a Alemanha.
Cenário musical
Há cerca de 300 anos a Alemanha é um dos países mais importantes no mundo da música. A maior parte dos grandes compositores nasceu ou viveu nesse país, que tem algumas das melhores orquestras e eventos de ópera do mundo. Poucos locais são tão atrativos para estudar música erudita no mundo.
Cenário acadêmico
Embora seja difícil encontrar um professor picareta, é comum achar professores desmotivados, que não reciclam seus conhecimentos há muito tempo, ou pouco talentosos. Paulatinamente está havendo uma renovação dos cargos de professor nas escolas superiores de música, e há uma forte tendência de professores mais entusiasmados, atualizados e competentes ocuparem essas vagas.
Mesmo em instrumentos que os alemães não têm uma tradição forte, como no violão, lecionam nesse país alguns dos mais destacados professores do mundo.
Sistema educacional
Na Alemanha é possível estudar música numa universidade (Universität) ou escola superior de música (Musikhochschule). Nas Universitäten se ensinam apenas matérias teóricas, quase todas ligada à musicologia (Musikwissenschaft), e exigem uma alta proficiência no idioma. Quem quer tocar, reger e compor tem de estudar nas Musikhochschulen.
Nas Musikhochschulen os cursos ministrados são de formação artística (Kunstlische Ausbildung), pedagogia musical (Musikpedagögik) e mestrado (Meisterkurz). Os dois primeiros são equivalentes à graduação do sistema educacional brasileiro (bacharelado e licenciatura, respectivamente). O Meisterkurz não é reconhecido como mestrado no Brasil, apenas como curso de especialização.
Algumas escolas estão oferecendo cursos próximos do sistema educacional dos EUA, o Bachelor e o Master. Como essa mudança não tem um ano, desconheço qualquer manifestação de uma instituição no Brasil que diga se o Master é reconhecido ou não no Brasil.
Indo ao país
As vagas nas boas escolas são muito disputadas, e pode acontecer de um professor não oferecer nenhuma vaga para aluno novo num determinado ano. Além disso, diversas instituições alemãs (embaixada, consulado, fundações acadêmicas) costumam exigir uma carta do professor que você pretende estudar. Portanto, diria que o primeiro passo para estudar na Alemanha é conhecer pessoalmente o professor almejado. Fazer uma aula com ele é fundamental.
A burocracia é lenta, portanto recomendo pelo menos 10 meses de antecedência para iniciar a tradução de todos os papéis.
As duas principais instituições que fornecem bolsa de estudo são o DAAD e o KAAD. Atualmente a verba do DAAD têm diminuído bastante. Uma bolsa de estudo na Alemanha significa o depósito mensal de uma ajuda de custo numa conta bancária sua e, com frequência, um curso intensivo de alemão antes do início do curso.
Praticamente todas as escolas alemãs são do governo, mas recentemente todos os alunos têm de pagar uma semestralidade para estudar. Atualmente a semestralidade custa entre 300 a 600 euros.
A embaixada ou consulado irá pedir alguma comprovação de fonte de renda, que pode se dar por três formas: ter ganho uma bolsa de estudos, ter numa conta bancária valor superior ao recomendado (cerca de 7.500 euros, atualmente), ou documento assinado por um responsável na embaixada dizendo que ele se compromete a te custear - naturalmente, essa pessoa tem de possuir bens superiores ao mínimo exigido pela embaixada.
Vivendo no país
Há na Alemanha residências estudantis (Studentenwonheim), mas elas não tem qualquer ligação com as escolas e universidades. Para viver numa Studentenwonheim, o processo é praticamente o mesmo de alugar um apartamento por uma imobiliária. Com frequência os custos de aluguel são parecidos. No entanto, pode-se economizar em internet, telefone, lavanderia e outros.
A maior chance de conseguir uma vaga numa Studentenwonheim é em junho e julho. A partir de setembro é praticamente impossível. Alguns sites ajudam a iniciar uma busca por imóvel ainda no Brasil, como o www.immobilienscout.de .
Além de alugar um apartamento no mercado imobiliário, outra opção é buscar uma república (WG). Um site útil para encontrar vagas em repúblicas é o www.wg-gesucht.de .
Todo mundo que vive na Alemanha (incluso os alemães) precisam se registrar no escritório dos moradores (Einwohneramt). Assim que conseguir uma residência, registre-se no Einwohneramt. Sem esse documento de registro não é possível abrir conta em banco, ter conta de telefone celular, assinar contrato de internet, nem regularizar o seu visto.
É possível viver no país falando um bom inglês. No entanto, para se integrar na sociedade, ou lidar com qualquer órgão do governo, falar alemão é importante. Há várias oportunidades de estudar a língua a preços módicos ou de graça, como em cursos fornecidos por entidades estudantis ou na internet, como em www.dw-world.de .
Ficando no país permanentemente
Há diversas oportunidades para músicos estrangeiros conseguirem trabalho na Alemanha. A mais comum é ensinando crianças e adolescentes em escolas particulares.
A legislação alemã é das mais condescendentes para com o estrangeiro. Entre as leis que favorecem o imigrante a continuar no país, é permitido que todo estrangeiro possa viver mais um ano na Alemanha após sua formatura para buscar emprego. Com um contrato de trabalho, o estrangeiro passa a ter visto.
É melhor ficar no Brasil se...
O principal problema de estudar na Alemanha é o fato do diploma de mestrado não ser aceito no Brasil. Dependendo dos objetivos do músico, estudar de 3 a 5 anos para obter um diploma sem valor no meio acadêmico pode ser uma péssima escolha.
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