domingo, 15 de fevereiro de 2009

Como avaliar um violão

Amigo internauta,

Para auxiliá-lo a comprar um violão adequado pra você, seguem algumas dicas do que olhar e avaliar num instrumento:

- construção
Que madeiras são utilizadas? São maciças?
Que técnica de construção é utlizada?

- sonoridade
Como é o timbre do violão? Tem predominância de graves, médios ou agudos?
E o equilíbrio? Notas em cordas e posições distintas soam parecidas?

- corpo sonoro
Como soa o ataque das notas? E a sustentação? E a queda?

- volume
Como é a potência do violão de perto? E de longe? Dá pra ouvir bem as ideias musicais mesmo à distância?
O que você ouve tocando se parece com o que uma pessoa sentada à sua frente ouve? Quanto?

O violão é afinado?
É confortável pras suas mãos e seu corpo tocá-lo?
Estímulos feitos pra mudar a dinâmica, o timbre e outros numa região (por exemplo, do piano pro mezzoforte) são semelhantes aos de outras (por exemplo, do mezzoforte pro forte)?
Como é a aparência do violão?
Ele vem acompanhado de outros itens, como boas tarrachas ou um case leve, resistente e fácil de carregar?

Espero que essas perguntas te auxiliem a comprar seu tão sonhado violão, amigo internauta.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Um concerto inesquecível

Amigo internauta,

Ontem tive a oportunidade de ouvir um concerto fantástico com a Real Orquesta Sinfónica de Sevilla, regida por Pedro Hallfter, e como solistas Pepe Romero e o quarteto de violões Los Romeros. No programa, El Sombrero de Tres Picos (Manuel de Falla), Concierto de Aranjuez e Concierto Andaluz (Joaquin Rodrigo), Rhapsodie Espagnole e Bolero (Maurice Ravel)

Los Romeros foi o primeiro quarteto de violões que surgiu, e hoje comemora 50 anos de existência. Fundado por Celedonio Romero e seus filhos Pepe, Angel e Celín, o grupo teve formações distintas, sempre com membros da família Romero. Pra minha surpresa, a formação de ontem era com os três filhos da primeira formação (o patriarca, Celedonio, faleceu há cerca de 20 anos), pois Pepe Romero saiu o grupo há bastante tempo.

A Real Orquesta Sinfónica de Sevilla é fantástica. Fiquei impressionadíssimo. Já tive a oportunidade de ouvir outras grandes orquestras, como a Berliner Filarmoniker, e essa orquestra está pelo menos no mesmo nível. No Sombrero de Tres Picos (o chapéu com três pontas) uma articulação precisa dos naipes e uma variação muito contrastante de dinâmica proporcionaram uma performance fantástica. A sonoridade encorpada, bem balanceada e homogênea do grupo abrilhantou as peças de Ravel.

No primeiro concerto da noite, Pepe Romero solou o Aranjuez sem amplificação para uma platéia de aproximadamente seis mil pessoas. Estava sentado a cerca de cinquenta metros do palco, e ainda assim ouvi muito bem. Naturalmente, a acústica da sala, o comportamento do público e não ter usado toda a orquestra no palco colaboraram, o que não tira o mérito da sonoridade desse grande violonista. A bela interpretação desse concerto encantou a platéia o suficiente para chamá-lo ao palco três vezes.

O Concerto Andaluz foi escrito para Los Romeros, que o tocaram com homogeneidade, precisão e um vigor que poucos grupos musicais têm. Sinto-me um privilegiado de ter tido a oportunidade de escutar essa composição tocada tão bem por músicos que admiro desde que comecei a me encantar pelo violão. A música respirava e se movia com uma elegância e força interior marcante.

De bis, Los Romeros tocaram uma composição de Celedonio Romero, Malagueña, que foi a primeira obra escrita para eles.

Sem dúvida, esse foi um dos melhores concertos que assisti na minha vida. Um bom programa, com um bom regente, uma orquestra de primeiro time e solistas de alta qualidade.

Los Romeros: http://www.romeroguitarquartet.com
Real Orquesta Sinfónica de Sevilla: http://www.rossevilla.com
Pedro Hallfter: http://www.pedrohalffter.com

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

À procura de um professor de violão? A gente te ajuda!

Amigo internauta,

Nesse começo de ano, acredito que alguns de vocês estejam pensando em procurar um professor de violão.

Pensando em auxiliar nessa busca, criei uma lista com professores de violão erudito em todo o país.

O endereço é www.alvarohenrique.com/professores.pdf

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Elementos de uma composição musical (6)

Amigo internauta,

Na nossa última conversa sobre música falamos um pouco do motivo, que seria um elemento rítmico e melódico pequeno utilizado para dar forma a uma composição. Fizemos uma analogia do motivo com uma peça de lego.

Outro elemento que pode dar unidade a toda uma composição é o tema. Tema é uma melodia com começo e fim, utilizada ao longo de uma mesma música, com algum tipo de diferenciação.

Embora haja uma forma musical chamada "tema com variações" (grosso modo, mostrar um tema e repetí-lo sempre de uma forma diferente), há várias outras formas de um tema ser o fio condutor de uma composição.

Como exemplo, vamos ouvir o segundo movimento do Concierto de Aranjuez, composto por Joaquín Rodrigo (1901-1999).



O tema é apresentado primeiramente pelo corne inglês (cerca de 0'30"). Em seguida, o violão toca uma versão ornamentada do tema - aonde se ouvia uma nota longa, agora são incluídas notas rápidas, escalas, etc. O corne inglês mais uma vez toca uma melodia baseada no tema e o violão a repete, com ornamentações.

Ao longo de toda a audição, você perceberá que praticamente o tempo todo é tocado, parcial ou integralmente, o tema inicial, seja na forma mais simples ou na ornamentada.

Um trecho fácil de perceber isso é no trecho em que o violão toca sozinho (se inicia em 4'40").

No nosso dia-a-dia, ouvimos músicas construídas a partir de temas principalmente ao ver filmes. Apesar dos disfarces, a trilha sonora que Bernard Hermann escreveu para o filme Psicose (Psycho) é baseada no mesmo tema.



Uma das coisas que considero mais divertidas ao ver os filmes do 007 é exatamente como eles trabalham um tema famoso e conhecido sempre com frescor. Seguem alguns exemplos.







Pra encerrar, um pequeno exemplo de um tema com variações. Mais a frente vamos falar melhor do que seria um tema com variações. Por enquanto, procure apenas perceber que a mesma melodia está sendo repetida, sempre com alguma diferenciação.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Róquinrou

Amigo internauta,

Recentemente encontrei vídeos de uma banda chamada Sambô. Com uma voz impecável, e um acompanhamento brasileiríssimo, algumas releituras dessa banda são surpreendentes.

Famosa na voz de Janis Joplin, uma Mercedes Benz parente do Gurgelzinho:



Uma canção do Led Zeppelin que é um dos hinos do rock, com outra cara:

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Toque violão com som limpo e sem esforço

Amigo internauta,

O violão é rico de detalhes que fazem diferença. Talvez por ser um dos poucos instrumentos em que o som é produzido usando os dedos das duas mãos, o fato é que pequenas variações no que os dedos fazem geram sonoridades distintas.

Para garantir um som limpo, sem ruídos de trastejo, é preciso ter cuidado com a pontaria e a força dos dedos da mão esquerda.

Ao contrário do que muitos pensam, não basta acertar o dedo dentro de uma casa do violão pra sair um bom som. É preciso ter uma pontaria tão precisa quanto a de um instrumento sem trastes, como o violino. E o ponto que nosso dedo deve atingir é cerca de 1mm à esquerda de cada traste.

Caso o dedo aperte a corda exatamente em cima do traste, sai um som abafado. Se apertar a mais de 1mm, é preciso empregar uma tensão extra, desnecessária.

Essa tensão desnecessária é uma das principais fontes de lesões que podem forçar uma pessoa a ter de abandonar o instrumento pro resto da vida, mesmo como amador, e pode comprometer pra sempre o movimento dos dedos em outras atividades cotidianas, como manejar talheres.

Pra evitar esse problema, um exercício muito simples ajuda bastante a calibrar a força necessária. Faça-o lentamente. Recomendo algo em torno de uma nota por segundo (60 bpm) no máximo. E, claro, aperte a corda cerca de 1mm à esquerda do traste.

O exercício consiste em tocar uma escala cromática, com um dedo em cada casa, tocando 1-2-3-4. Na primeira vez toque toda a escala, com cada dedo apenas encostando na corda, sem movê-la um só milímetro. O som sairá abafado.

Em seguida, toque toda a escala, com cada dedo apertando a corda, mas movendo-a muito pouco, sem encostar no traste. O som sairá abafado.

A terceira etapa é fundamental. Agora cada dedo aperta a corda só o suficiente para ela encostar muito de leve no traste. O som sairá trastejado, repleto de ruído. Seja rigoroso pra que todas as notas sejam tocadas assim.

Em seguida, faça o mesmo exercício, usando só um pouquinho de nada de força a mais, e todas as notas sairão limpas, sem tensão desnecessária e sem esforço.

Recomendo fazer esse exercício como aquecimento por pelo menos um ano, sempre lentamente (no máximo uma nota por segundo).

Se em alguma música você sente que está tocando com força demasiada, amigo internauta, pode fazer esse exercício nesse trecho ou na música, não apenas a escala cromática.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Uma orquestra com políticos toca em Caxias do Sul

Amigo internauta,

Veja só que curioso:

Orquestra dos Prefeitos da Áustria se apresenta em Caxias dia 10

No próximo dia 10 de fevereiro se apresentará a Orquestra dos Prefeitos da Áustria. O espetáculo ocorre no Teatro Pedro Parenti a partir das 20h30. A entrada custa R$ 10.

A Bürgermeisterkapelle ou Orquestra dos Prefeitos da Áustria é formada por 45 músicos, todos eles Prefeitos, Vice-Prefeitos e Vereadores da região do Tirol, na Áustria. A orquestra tem a regência do Maestro Karl Mark, Governador da província de Schwaz, na Áustria.

Após a apresentação, às 22h, será servido um churrasco típico gaúcho no Galpão Crioulo da UCS a R$ 45.


Uma orquestra só de políticos? Foi uma boa ideia pra escapar de vaias. Ainda assim, recomendo que a plateia deixe o relógio em casa.

Ah, a churrascaria já confirmou que aceita cartão corporativo.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Planejando o estudo

Amigo internauta,

Músico tem de estudar muito. E sem cessar. Atribuí-se a vários virtuoses a mesma frase: "se eu parar de estudar um dia, eu noto a diferença; se parar de estudar dois dias, os críticos sentem a diferença; se parar de estudar três dias, o público ouve a diferença."

Como tocar um instrumento é uma habilidade, não o mero acúmulo de informação, e a chance de falhas na execução dessa habilidade é sempre alta, o músico convive com o estudo mais que com sua própria sombra. O apreço pelo estudo, portanto, é uma das principais características que diferenciam o músico profissional das pessoas que apenas gostam de tocar um instrumento.

Apesar dos músicos gostarem tanto de estudar, muitas vezes eles estudam errado, e não progridem de acordo com seus esforços. Uma das falhas mais comum é estudar o que já é sabido.

A principal função do estudo é adquirir informação / habilidade nova e consolidar conhecimento / habilidade recêm-adquirida. Na ânsia de consolidade algo novo, e sem muita ideia do que deve ser adquirido em seguida, com frequência o instrumentista se vê andando em círculos, estudando o que já foi estudado à exaustão.

Pra evitar essa perda de tempo, sugiro fazer um "autorretrato" dos seus conhecimentos.

Inicie escrevendo todas as habilidades e informações que você gostaria de ter. Por exemplo, "leitura à primeira vista", "improviso", "domínio de harmonia", "habilidades de composição", "vida e obra dos principais músicos da minha área", etc.

Em seguida, escreva o que você já fez pra dominar aquela habilidade, e quais seriam os próximos passos caso você queira se aprofundar ainda mais. Por exemplo, você pode escrever em "domínio de harmonia" que acabou de ler um livro sobre o tema, e que um próximo passo seria tocar com um amigo que sabe desse assunto mais que você, ou procurar um professor.

Após escrever essa lista, determine quão perto você está do máximo que você prentede dominar aquela habilidade. Escreva 0% para temas que você não domina, e 100% para temas que você já sabe tudo o que você gostaria, independente de quanto isso significa. Por exemplo, um músico pode considerar o que ele sabe de improviso, mesmo sendo pouco, tudo o que ele tem interesse em saber, então marcaria 100%. Já outro, mesmo dominando bem essa habilidade, têm ambições maiores, e pode marcar apenas 60%.

Ao final, é provável que as porcentagens atribuídas tenham números díspares. Caso isso ocorra, planeje seus estudos procurando equilibrar esses números, de forma a promover que seus "pontos fracos" tenham o mesmo nível de excelência dos seus "pontos fortes". Isso pode requerer mudar o tempo que você estuda cada tarefa ou buscar novas fontes de (in)formação (professores, livros, conviver com outros músicos, etc.).

Recomendo que, tanto para fazer esse "autorretrato", quanto para guiar todos seus estudos e sua vida profissional, você converse com um músico mais experiente. Embora muitos jovens possam se sentir tímidos, intimidados, ou achar que não vão receber a devida atenção, vários músicos têm prazer em dividir seu conhecimento e orientar outra pessoa de maneira informal - para muitos, é uma forma de reforçar o que já sabem e relembrar o entusiasmo que tinham no passado.

Faça esse mesmo exercício de tempos em tempos, amigo internauta. Aconselho que você mantenha um diário de estudos e escreva nele esse "autorretrato" em intervalos fixos.

Espero que essa forma de autoavaliação e autoconhecimento possa contribuir para você progredir de forma mais intensa nos seus estudos, e que você possa atingir mais rapidamente o que almeja.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Acabou a ditadura? Tem certeza?

Amigo internauta,

Nesse Brasil acontecem coisas que me fazem perguntar se realmente acabou a ditadura.

Na última segunda-feira José Sarney foi eleito presidente do Senado e, por consequência, do Congresso Nacional.

Sarney foi um dos políticos que sustentou, apoiou e usufruiu da ditadura. Foi presidente da Arena, o partido da ditadura, em 1979.

Como é possível que, cerca de 20 anos após o fim da ditadura, tantos políticos ligados àquele regime continuem ocupando posições de poder?

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Elementos de uma composição musical (5)

Amigo internauta,

Vamos falar agora de alguns elementos que definem a estrutura de uma composição musical. Um deles é o motivo.

Imagine um daqueles brinquedos com peças de montar (como o Lego). Em todos esses brinquedos há um número pequeno e limitado de peças que encaixam entre si e, baseado nessas peças e nas possibilidades de encaixe, montamos os mais diversos objetos.

Explicando de uma forma simples, um motivo musical é, pra uma composição musical, o equivalente a essa peça de Lego. Um elemento pequeno que pode ser combinado e montado de diversas formas e une toda a composição.

Vamos ouvir um exemplo em que podemos observar isso. No primeiro movimento da quinta sinfonia de Ludwig van Beethoven (1770-1827) ele enuncia o motivo principal logo nas quatro primeiras notas.

Preste atenção durante a escuta: ele apresenta o motivo, o repete com outras notas, e em seguida constrói toda a música com esse elemento.



De 0'43" a 1'25" a melodia é construída usando esse motivo incessantemente. A partir desse trecho, o motivo passa a ser utilizado principalmente no acompanhamento. Enquanto os violinos tocam a melodia, os instrumentos de sopro tocam o motivo ao fundo. Ao longo de todo esse movimento ouvimos o motivo principal (ou elaborações a partir dele) o tempo inteira, seja na melodia ou no acompanhamento.

O fantástico nessa música, e um dos motivos de Beethoven ser considerado o maior gênio da composição, é o quanto ele conseguiu fazer explorando incessantemente um motivo tão simples. E o mesmo motivo está presente também nos outros movimentos da mesma sinfonia. Um trecho fácil de perceber é nas primeiras notas que os metais tocam no terceiro movimento (0'23"):



Algo similar ouvimos no primeiro movimento do Concerto Brandenburgo no 3, de Johann Sebastian Bach (1685-1750). Um dos principais motivos da peça são as três notas iniciais - outra ideia simples: tocar uma nota, descer uma e voltar pra inicial.



Ao contrário do que alguns possam imaginar, encontramos composições com motivos em toda a música ocidental, não só na música erudita ou na instrumental. Na canção Insensatez, de Tom Jobim, o motivo principal é enunciado na segunda e na terceira nota (equivalente às sílabas in- e sen- da palavra insensatez). Perceba que tanto o ritmo como a organização das notas nesse motivo estão em toda a canção.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Anna Stella Schic, pianista, nos deixa

Amigo internauta,

A pianista brasileira Anna Stella Schic infelizmente não está mais entre nós. Ontem ela faleceu em Paris, onde vivia desde os anos 1970.

Schic divulgou a obra de diversos compositores brasileiros e modernos. Entre os destaques da sua carreira, citamos ela ter sido a primeira pianista a gravar uma integral da obra pra piano de Heitor Villa-Lobos (1887-1959), bem como audições de compositores de vanguarda no Brasil, como Pierre Boulez.

Abaixo podemos ouvir um pouco da obra que essa pianista nos deixou.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Encordoamentos para violão

Amigo internauta,

Como escrevi no tópico em que comento o equipamento que uso pra tocar, estou sempre testando diversos encordoamentos, pois ainda não encontrei um que me satisfizesse plenamente. Gostaria de compartilhar com vocês minha opinião sobre as cordas que utilizei.

A Augustine foi a primeira corda de nylon no mercado, criada nos anos 1940. Dizem que Segovia, em NY, reclamou que a II Guerra Mundial estava comprometendo a produção de cordas para violão e que ele se preocupava com o dia em que pararia de tocar por falta de cordas. Albert Augustine então criou as cordas de nylon, que se provaram tão melhores que as de tripa de carneiro (as que eram usadas até então), que as substituíram totalmente em poucos anos.

A empresa produz três tipos de primas (classic, imperial e regals, da menor pra maior tensão) e três tipos de baixos (black, red e blue, também em ordem crescente de tensão), que podem ser combinados em nove produtos distintos. Por exemplo, a ilustração acima é de um jogo com primas classic e baixos blue.

Uma coisa bacana da Augustine é essa possibilidade de usar primas numa tensão e baixos em outra. Como são de materiais distintos, e sobre eles recaem papéis diferentes (por exemplo, as primas tocam mais melodias que os baixos), isso é um qualidade positiva dos encordoamentos dessa marca.

As primas da Augustine têm um som gordo, com poucos harmônicos agudos. As classic são muito fáceis de fazer vibrato, e lembram a sonoridade de gravações nos tempos do disco de vinil. As regals são mais agressivas, com um ataque forte se comparado com a sustentação da nota. As imperial são um meio-termo entre esses extremos.

O maior problema das primas da Augustine é a falta de constância. Aparentemente, o controle de qualidade da empresa é falho, e é comum comprar cordas com defeitos graves, como soar desafinadas. Há suspeitas de falsificação nas cordas que chegam às lojas, também.

Os baixos também têm um som gordo, com poucos harmônicos agudos. Os blue, de maior tensão, têm maior sustentação e um pouco mais de brilho. Os black, de menor tensão, soam quase como se a boca do violão fosse abafada.

A ausência de brilho nesses baixos mesmo quando novos me incomoda. Acho uma boa opção para trocar a corda e tocar em público logo em seguida, pois em dois ou três dias de uso a perda de brilho que o uso naturalmente provoca faz com que esses baixos soem, aos meus ouvidos, apagados. Como prefiro subir num palco com o mínimo de surpresas possível, não me agrada a ideia de tocar em público com uma corda com poucos minutos de uso.

A Aquila desenvolveu uma corda que eles chamam de nylgut. É um material sintético, próximo do nylon, que busca produzir uma sonoridade similar à das cordas de tripa. Só as primas usam nylgut.

Foi uma das maiores decepções nos meus testes com cordas. As primas nylgut, ao menos as brancas que testei, são ásperas. Em função da aspereza, gastam muito as unhas e todas as notas soam com um ruído insuportável. Ao invés das notas soarem tuuuuuuuuummmm, soam ffffffffffffffffffffffuuummm.

A D'Addario tem três modelos diferentes de cordas de nylon, cada uma em tensões diferentes. O de melhor qualidade se chama Pro Arté.

Durante muitos anos essa foi a minha corda preferida. A melhor qualidade da D'Addario está na afinação. Nos outros quesitos, é uma corda boa, sem grandes destaques. Digamos que na afinação ela é nota 10, e nas demais características 7 ou 8.

Em função disso, essa é uma corda "neutra", que mostra bem o som do violão propriamente dito, o que pode ser uma qualidade ou um defeito, dependendo do ponto de vista. Com frequência nós violonistas escolhemos cordas que compensem algum ponto fraco do instrumento. Por exemplo, usa-se uma corda com muito brilho num violão escuro. Com a D'Addario não dá pra fazer esse tipo de coisa.

A D'Addario vêm lançando no mercado várias cordas diferentes com o padrão de qualidade Pro Arté. Dessas, a que testei foi a composites lightly polished. Elas vêm com baixos polidos, que produzem menos ruído, e uma terceira corda extra, feita de carbono e em cor marrom.

Minha experiência não foi positiva com essas cordas. A terceira corda de carbono tem um ruído de ataque muito presente, e a cada nota que tocava nessa corda parecia que tinha um tambor dentro do meu violão. Nas três vezes que testei essas cordas os baixos tinham cor de ferrugem mesmo dentro da embalagem lacrada.

A Galli lançou no mercado primas com um novo tipo de nylon que está sendo chamado de titanium. Tive uma surpresa agradabilíssima com essas cordas. Ela tem um equilíbrio e uma resposta surpreendentes, com mais brilho e projeção. É uma corda bem próxima do meu ideal.

O problema é que esse nylon utilizado requer muito mais cuidado com as unhas. Se as unhas não estiverem tão polidas quanto o vidro, elas arranham a corda e em poucos minutos o som fica terrível. Se as unhas estiverem impecáveis, as primas têm uma durabilidade surpreendente.

As primeiras primas de carbono que usei foram essas da Hannabach. São cordas com maior projeção, e dá a impressão que o violão é mais forte. Porém, são estridentes demais, e na mão de certos violonistas soam agressivas. Vibratos são quase impossiveis de serem feitos, e ligados exigem maior esforço.

Como comentei anteriormente, estou usando baixos Hannabach 728 low tension no momento. São baixos muito profundos, com maior riqueza tímbrica, e boa sustentação. O único problema é a durabilidade pequena. No Brasil elas também são mais caras que outras marcas, então não é uma corda que poderia usar sempre.

A primeira corda feita pela Savarez que testei foi a série tradicional com primas retificadas. É uma corda terrível, talvez a pior que já toquei em toda minha vida. Os baixos duram pouco, e as primas são muito ásperas. O som sai com mais ruído que na Aquila nylgut, e gasta mais a unha. É a única corda que testei em toda a minha vida que não recomendo pra absolutamente ninguém que toca violão solo.

Em seguida, testei a Cristal Soliste. É uma corda bacana, com muitas semelhanças com a Augustine, porém com um controle de qualidade bem mais rigoroso.

O único inconveniente dessa corda é o custo. Ela está entre as mais caras nas lojas brasileiras, e na internet é difícil encontrar à venda alguma por um preço competitivo.

Estou usando no momento primas Alliance, que também são feitas de carbono. Ao contrário das que testei anteriormente, essas primas têm maior sustentação, maior projeção, ainda permitem vibrato, o ligado não exige tanto esforço extra, e não soam estridentes, apenas com mais brilho.

Reiterando o que escrevi no tópico anterior, amigo internauta, isso é minha opinião, e reflete o som que gosto. Músicos com outro ideal sonoro provavelmente pensará de forma diferente. Espero que essas informações sirvam para auxiliá-lo na sua busca.